Fundação da Comparsa Tambor Tambora – Porto Alegre
A comparsa Tambor Tambora nasceu em Porto Alegre no segundo semestre de 2019, a partir de um reencontro com a cidade durante meu período de doutoramento na UFRGS. Aprovado em edital de afastamento para capacitação profissional da Unipampa, retornei à capital gaúcha com o desejo de me reconectar com antigos parceiros e de integrar projetos musicais que dialogassem com minhas vivências e pesquisas em percussão.
O convite para iniciar esse novo projeto partiu do percussionista e educador Lucas Kinoshita (Kino), que reuniu um grupo interessado na criação de uma comparsa dedicada ao candombe afro-uruguaio em Porto Alegre. No dia 29 de setembro de 2019, em um encontro informal na Ponte de Pedra, no Largo dos Açorianos — espaço simbólico da cidade —, nos reunimos com Pepe Martini, Marcelo Sikinowski e Ziza Rabelo. Naquela tarde, entre mates e conversas sobre nossas experiências com o candombe, nasceu a Tambor Tambora.
Primeiros passos e a pandemia
O projeto estreou em janeiro de 2020 com encontros gratuitos e abertos à comunidade no Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, no bairro Cristal. Os encontros combinavam formação teórica e prática, com estudo dos fundamentos do candombe e saídas de tambores na praça em frente ao ponto de cultura. Porém, com a chegada da pandemia da COVID-19, o grupo suspendeu suas atividades presenciais, reafirmando o compromisso com a ciência e a vida.
Durante o período de isolamento, a comparsa se reinventou no ambiente virtual. Passamos a realizar reuniões online e, em 2020, produzimos a série de lives “Conversas Candomberas”, com a participação de importantes nomes da cultura afro-sul-rio-grandense e do candombe. A série segue disponível nas redes do grupo.
Ainda em 2020, fomos contemplados com um prêmio da Lei Aldir Blanc, promovido pela Prefeitura de Porto Alegre. O recurso possibilitou a aquisição de novos tambores, ampliando o acesso à prática percussiva e fortalecendo a estrutura do coletivo.
Reestruturação e retomada das atividades
Com o avanço da vacinação e a flexibilização das medidas sanitárias, retomamos gradualmente os encontros, agora no Largo Zumbi dos Palmares e na Ponte de Pedra — espaço que se tornou símbolo do grupo e integra a logomarca da comparsa como representação da ponte cultural entre Porto Alegre e a tradição do candombe.
Atualmente, a Tambor Tambora é gerida por um núcleo formado por educadores, músicos, produtores e ativistas:
Carmem Dora Ávila da Silva, Cleiton Oliveira, Guilherme Ceron, Lucas “Lukeko” Ramos, Marcelo Sikinowski Silveira, Rafael Costa e Talita Santos, além de tamborileros e tamborileras que participam das atividades regulares realizadas às quartas-feiras.
Perspectivas e compromissos
A comparsa Tambor Tambora tem como metas:
- Promover maior diversidade no grupo, com foco em representatividade de mulheres, pessoas negras e LGBTQIAPN+.
- Formar um corpo de baile, consolidando a estrutura de uma comparsa completa.
- Ampliar parcerias institucionais e realizar oficinas com mestras e mestres do candombe uruguaio.
Fortalecer a presença do candombe em Porto Alegre, especialmente nas atividades relacionadas ao Dia Municipal do Candombe (03 de dezembro), instituído pela Lei Municipal nº 13.107/2022, com apoio do vereador Washington Gularte.
A trajetória da Tambor Tambora foi retratada em 2021 em reportagem de capa do Segundo Caderno do jornal Zero Hora, com ampla repercussão no portal GZH, reafirmando seu papel como protagonista na difusão do candombe na capital gaúcha.
